18/03/2026
Presença de algas no Rio Paranaíba preocupa moradores em Cachoeira Dourada; Comitê acompanha situação
GERAL
Cachoeira Dourada(MG) enfrenta um desafio ambiental que impacta a vida da população e o turismo da cidade. Conhecida pelo lago formado pelo Rio Paranaíba, a cidade convive há meses com o aumento desordenado de algas que se espalham pelas águas do rio.
O avanço das algas e plantas aquáticas no lago tem mudado a paisagem e afetado atividades que dependem da água. Em alguns pontos, áreas usadas para lazer estão tomadas pela vegetação, enquanto pescadores relatam dificuldades para navegar e trabalhar. Moradores também têm percebido mudanças na qualidade da água, mau cheiro e peixes mortos, sinais claros de que algo está errado.
Tecnicamente, esse crescimento excessivo está ligado a um processo chamado eutrofização, que ocorre quando há excesso de nutrientes na água, fazendo com que algas e plantas aquáticas se multipliquem rapidamente. Esse fenômeno bloqueia a luz solar, reduz o oxigênio disponível na água e provoca a morte de peixes e outros organismos aquáticos. A população da região já percebe alguns desses problemas, como a dificuldade de navegar, a água com cheiro desagradável e a presença de vegetação em excesso, que também prejudica o lazer, a pesca e pode favorecer a proliferação de insetos.
Uma equipe técnica e representantes da diretoria do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba estiveram recentemente na cidade para acompanhar de perto o avanço das algas no rio. Durante a visita, a equipe percorreu as margens do lago e conversou com moradores e representantes do município sobre os efeitos da proliferação das algas.
A agenda incluiu reunião com representantes da prefeitura e visitas a pontos do lago onde a presença das plantas aquáticas é mais evidente. As atividades buscaram reunir informações para subsidiar as discussões técnicas em andamento sobre o fenômeno.
Segundo a secretária-adjunta do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba e presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Baixo Paranaíba (PN3), Elaine Aparecida Santos Oliveira, o Comitê acompanha o caso e tem articulado diferentes instituições na busca por respostas. “O Comitê de Bacia vem se posicionando com sensibilidade diante da situação, atento às competências que lhe cabem. Temos promovido articulações, reuniões e análises técnicas, dialogando com diferentes atores do Sistema de Recursos Hídricos para buscar não apenas identificar as causas, mas também encontrar soluções para o problema”, afirmou.
Durante a visita, moradores relataram preocupação com a situação do rio e os impactos no cotidiano da cidade. Segundo Elaine, a percepção da população revela a dimensão do problema enfrentado no município. “A cidade tem uma relação muito forte com o lago e com o Rio Paranaíba. A paisagem, o turismo e o modo de vida da população estão ligados a essas águas. Quando ocorre um problema como esse, o impacto não é apenas ambiental, ele atinge também a forma como a cidade se reconhece e vive esse território”, relatou.
A visita foi realizada em parceria com o Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Baixo Paranaíba (PN3), após solicitação da Prefeitura de Cachoeira Dourada para discutir os impactos observados no lago que margeia o município.
De acordo com a analista ambiental do Comitê do Paranaíba, Patrícia Antunes, a reunião e a visita técnica contribuíram para reunir informações que devem orientar as próximas discussões sobre o tema. “Participamos da reunião e da visita técnica às margens do lago, onde foram realizados registros e coleta de informações que poderão subsidiar os trabalhos do Grupo de Trabalho nas próximas etapas de análise”, explicou.
As análises mais aprofundadas sobre o fenômeno a partir de agora serão conduzidas no âmbito do Grupo de Trabalho Macrófitas Aquáticas Egeria, instituído pelo CTPI do CBH Paranaíba.
O grupo reúne representantes de universidades, órgãos gestores estaduais e federais, além de atores locais e municípios situados a montante da área afetada. A proposta é aprofundar a compreensão sobre as causas da proliferação das algas e construir caminhos técnicos para enfrentar o problema observado no Rio Paranaíba.
